Uma nota antes de começar: este artigo apresenta uma posição de alto anglicanismo clássico — fundamentado em Hooker e no Livro de Oração Comum. Não é a única posição anglicana possível, nem a mais avançada. Parte do clero da IEAB, seguindo a tradição anglo-católica, vai consideravelmente além do que este artigo propõe — e tem razão legítima para fazê-lo. Por outro lado, o anglicanismo de tradição mais evangélica pode ter reservas até com o que está escrito aqui. O alto anglicanismo clássico vive nessa tensão — não como compromisso entre dois extremos, mas como posição com fundamento próprio. A intenção é apresentar um chão teológico que a grande maioria dos anglicanos pode habitar com clareza. Devo dizer com honestidade que minha própria prática devocional não se limita ao que está descrito aqui — mas esse é assunto para outra conversa.
I. O desconforto que não tinha nome
Lembro da primeira vez que entrei numa igreja católica romana na minha vida. Não para me converter, não por curiosidade turística — para a missa de trigésimo dia de um professor universitário que eu respeitava muito. Já havia deixado o evangelicalismo havia anos. Achei que estava mudado.
Não estava.
As imagens me perturbaram de duas formas distintas. A primeira era teológica — o treinamento evangelical ainda funcionava em mim como reflexo, identificando perigo a todo momento. A segunda era mais estranha: o realismo das esculturas, os olhos de vidro, a carne pintada. Há um fenômeno que estudiosos de robótica chamam de vale da estranheza — o ponto onde algo quase humano se torna perturbador exatamente por ser quase humano, não por ser diferente. As imagens sacras católicas me colocavam ali com precisão cirúrgica.
A primeira perturbação eu venci com o tempo e com estudo. A segunda, quase.
Mas naquele dia, de pé numa nave que não era minha, numa cerimônia por um homem que eu queria honrar, percebi que carregava perguntas que nunca havia formulado direito. O desconforto não era sinal de que eu estava certo. Era sinal de que eu não havia pensado o suficiente.
Este artigo é resultado de mais de uma década de pensamento.
II. Uma frase que você já disse sem perceber
Existe uma declaração que todo cristão que frequenta uma liturgia tradicional repete toda semana, quase sempre sem parar para pensar no que está dizendo. Ela aparece no Credo Apostólico, discreta entre a ressurreição do corpo e a vida eterna: creio na comunhão dos santos.
Em latim(amo latim), communio sanctorum — a comunhão de todos os que pertencem a Cristo, vivos e mortos. Dois substantivos. Uma doutrina grande e quase sempre polêmica.
O anglicanismo afirma essa frase pelo Credo — e o Credo não é uma decoração litúrgica. É doutrina. O que ela diz é que o corpo de Cristo não é dissolvido pela morte. Os que morreram em Cristo não saíram do corpo — estão na parte mais próxima de Cristo, à espera da ressurreição final, conscientes, presentes na mesma comunhão em que estamos.
Isso tem consequências práticas. Se os santos glorificados ainda fazem parte do mesmo corpo, a oração desse corpo os inclui. A liturgia anglicana já sabia disso. Os santos têm festas no calendário desde Cranmer — dias em que a Igreja para, recorda e diz: aqui Deus agiu numa vida humana, e essa vida ainda pertence ao nosso corpo.
A tradição não os esqueceu. Nós é que paramos de pensar neles.
Mas antes de ir mais longe, uma objeção que vai aparecer cedo precisa ser respondida.
III. Os mortos escutam?
Certos círculos religiosos levantam uma objeção direta: os mortos dormem. Não há consciência entre a morte e a ressurreição. Logo, não há ninguém ouvindo.
A objeção tem genealogia dentro de certas tradições reformadas. Mas não é a posição da tradição litúrgica anglicana desde Cranmer.
O próprio Livro de Oração Comum é testemunha direta. No serviço fúnebre do LOC de 1549, o clérigo diz ao lançar terra sobre o caixão: “Encomendo tua alma a Deus Pai Todo-Poderoso, e teu corpo à terra… na esperança certa e segura da ressurreição para a vida eterna.”
Uma alma que dorme não precisa ser encomendada. Uma alma que parte para a presença de Deus, sim.
Vale notar que encomendação da alma não é o mesmo que oração pelos mortos — são práticas teológicas distintas que merecem tratamento próprio e que abordaremos em artigo futuro. O que importa aqui é o que a encomendação pressupõe: que a alma tem destino consciente imediato após a morte.
N.T. Wright, bispo anglicano e o teólogo anglicano contemporâneo mais lido no mundo, confirma: Paulo usa “sono” como metáfora da ressurreição, não como descrição do estado presente. Seria estranho, diz Wright, que Paulo considerasse esse estado “muito melhor” do que a vida presente se fosse inconsciente.
E há Apocalipse 6.9-11 — os santos debaixo do altar divino, conscientes, clamando a Deus por justiça, aguardando a consumação de todas as coisas.
Rowan Williams, Arcebispo de Cantuária de 2002 a 2012, expressou essa convicção com precisão em seu sermão no centenário de Oscar Romero em Westminster Abbey: Romero está “na eterna comunhão dos santos, na mesa eucarística de Jesus Cristo.” Não como lembrança — como presença.
Os santos estão acordados. Estão na presença de Cristo. Numa condição ainda incompleta — aguardando a ressurreição final com o resto do corpo. Não são mediadores em perfeição plena. São membros do mesmo corpo que nós, apenas do outro lado da morte que Cristo já derrotou.
Se os santos estão vivos, conscientes e unidos a Cristo — o que isso significa para a nossa oração?
IV. A oração nunca é individual
Por que pedimos uns pelos outros na oração do povo? Por que Paulo pede orações às igrejas em Romanos 15.30? Por que Tiago 5.16 diz que “a oração do justo é muito poderosa em seus efeitos”?
Não porque a oração individual seja insuficiente. Não porque Deus seja mais convencido por volume. Mas porque a oração cristã não é uma transação entre um indivíduo e um juiz distante. É participação no corpo de Cristo inteiro orando ao Pai pelo Espírito.
É ato corporativo, não apenas individual.
Se você já pensou “para que pedir a alguém que ore por mim, se Deus já sabe o que preciso?” — a objeção é boa, mas ela se aplica a toda intercessão, não apenas à dos santos. Se ela derrubasse a oração dos santos, derrubaria também a oração do povo no domingo, derrubaria a sua própria oração pessoal.
O problema está na premissa: a ideia de que oração funciona como petição individual cujo sucesso depende de Deus aceitar ou rejeitar o pedido. A oração que o anglicanismo pratica — fundamentada em Hooker, que inscreveu a razão e a graça na própria estrutura da criação — não é transação. É comunhão.
E comunhão inclui o corpo inteiro, os que ainda caminham e os que já chegaram ao destino.
Toda vez que cantamos o Sanctus na Eucaristia — “Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, o céu e a terra proclamam a tua glória” — estamos fazendo precisamente isso: unindo nossa voz à multidão celestial num louvor que já acontece. O coro não termina na nave. Ele inclui os que já estão lá.
A morte não dissolve o corpo. E o corpo ora junto.
A communio sanctorum é real e presente. Os santos glorificados não saíram do corpo. Estão na parte mais próxima de Cristo, orando. A pergunta não é “eles podem orar por nós?” — a pergunta é “como nos relacionamos com essa oração que já acontece?”
Mas antes disso, é preciso entender quem são os santos e o que significa honrá-los.
V. Santos, imagens e o que significa honrar
Antes de falar em devoção, é preciso falar em hagiografia — palavra grega que significa, literalmente, “escrita sobre os santos.” Hagios, santo. Graphia, escrita. É o conjunto de textos, imagens e práticas através dos quais a Igreja recorda e honra aqueles em quem Deus agiu de forma especialmente visível.
Pense assim: assim como Deus é o autor da Escritura, Deus é o autor do santo. A vida de um mártir, de uma confessora, de um pastor fiel não é biografia de herói. É texto que Deus escreve numa vida humana concreta para mostrar como a graça opera.
Não se lê a vida de um santo para admirar a capacidade humana. Lê-se para ver o que Deus faz.
O calendário litúrgico anglicano celebra os santos por essa razão — não como objetos de culto, mas como espelhos onde se reconhecem os atos de Deus através dos séculos. A Reforma anglicana podou a hagiografia medieval exatamente porque ela havia derivado desse princípio original. Os santos haviam se tornado heróis autossuficientes, máquinas de milagres, patronos negociáveis. Cranmer não extinguiu os santos — reduziu o calendário a proporções manejáveis. Preservou o princípio. Removeu o excesso.
E as imagens?
Volto àquela nave, àquelas esculturas. A objeção que senti naquele dia vem de um lugar real. Êxodo 20.4 — não farás imagem de escultura. Mas vale perguntar o que a proibição proíbe exatamente.
Ídolo, em seu sentido técnico religioso, é um objeto que recebe culto em si mesmo — não um objeto que auxilia a contemplação de outra realidade.
Você tem foto dos seus pais na carteira? Do seu namorado? Do seu filho? Essas fotos não são ídolos — não porque sejam pequenas demais para isso, mas porque sua função não é receber culto. Sua função é auxiliar a memória, evocar a presença, sustentar o afeto por pessoas que estão ausentes. O objeto aponta para além de si mesmo. É um apontador.
O ícone — imagem sagrada usada na tradição cristã oriental e no alto anglicanismo como auxílio para a oração e contemplação — funciona assim. Rowan Williams escreveu um livro inteiro sobre ícones marianos precisamente para explicar isso. Em Ponder These Things ele descreve o que o ícone faz: trazer o completamente estranho junto com o familiar e o cotidiano, de modo que o mundo pareça estar sempre à beira de uma revelação.
O ícone não é o destino. É uma janela.
Antes de avançar, é preciso parar numa palavra que sempre aparece bastante nessa discussão: veneração. O problema é que ela é ambígua. Em alguns dicionários — inclusive o Houaiss — venerar pode ser sinônimo de culto, de adoração. Em outros contextos, significa simplesmente honra e respeito elevados.
No imaginário popular brasileiro, ela quase sempre é lida no sentido mais forte — e mais suspeito.
Por isso a teologia clássica desenvolveu um vocabulário mais preciso. Dois termos latinos fazem esse trabalho: latria e dulia.
Latria é adoração — o ato de culto absoluto, devido unicamente a Deus. Dulia é honra — o respeito profundo devido àqueles que Deus santificou, sem qualquer atribuição de divindade. São atos categoricamente diferentes, com objetos categoricamente diferentes.
Honrar um santo não é adorá-lo de forma atenuada. É uma categoria distinta.
E essa distinção não é uma invenção teológica — a vida humana já a pratica em outras esferas sem nenhum estranhamento. Juízes são honrados com títulos e ritos específicos. Professores recebem uma deferência que não é devida a qualquer pessoa na rua. Dignitários, oficiais, mestres — em praticamente todas as culturas humanas, há formas de honra que não são adoração, que não confundem o honrado com Deus, e que ninguém chama de idolatria.
A honra reconhece excelência, serviço, posição — sem atribuir ao honrado aquilo que só pertence a uma instância superior. O que a teologia faz é precisar o objeto e guardar os limites — não inventar o conceito.
E o ícone mais revelador dessa distinção é a Hodegetria — do grego hodos, caminho, e hegeomai, guiar: “a que aponta o caminho.” É a imagem mariana mais antiga da tradição cristã. No ícone, Maria aponta para Cristo. Sempre. Sua mão se estende em direção ao Filho. Seus olhos apontam para Ele.
Ela que aponta para Cristo é a primeira a apontar para Cristo.
A Reforma anglicana removeu imagens das igrejas não por teologia iconoclasta — os reformadores radicais do continente é que destruíam imagens como ato teológico — mas por prudência pastoral diante de abusos reais. O alto anglicanismo as restaurou dentro de uma teologia clara. Ambas as posições têm genealogia anglicana legítima.
Celebrar festas, contemplar ícones, ler hagiografias — tudo isso é devoção aos santos. Mas a questão que muitos vão fazer é: o anglicanismo permite ir além disso? Permite uma relação mais ativa com os santos, incluindo a oração?
VI. As três zonas
Antes de entrar nas zonas, dois termos precisam ser explicados — porque eles aparecem nas três e determinam o que está em jogo em cada uma.
Comprecação — do latim comprecatio, “orar junto com” — é a prática de pedir a Deus uma participação nas orações dos santos. O endereço é sempre Deus. Os santos respondem ao chamado divino, não ao nosso. O teólogo anglicano do século XVII William Forbes chamava isso de advocação dos santos — e descrevia a prática como verdadeiramente primitiva e católica, encontrada nas liturgias antigas e sem objeção teológica possível.
Invocação — do latim invocare, “chamar sobre si” — é o endereçamento direto ao santo: “rogai por nós.” Aqui o endereço é o próprio santo, não Deus.
A diferença fica clara em dois exemplos práticos.
Uma oração de comprecação soa assim: “Senhor, permite e chama todos os teus santos, na tua presença, a oraram conosco pelas nossas causas.” O endereço é Deus. Os santos são convocados por Ele, não por nós.
Uma oração de invocação soa assim: “São Oscar Romero, na comunhão dos santos de Deus, rogai por nós.” O endereço é o próprio santo. É ele quem é chamado a agir.
As duas práticas reconhecem que os santos oram. A diferença está em quem faz o chamado — e para quem a oração é dirigida.
Com esses termos em mãos, as três zonas fazem sentido.
Culto público é o que a liturgia anglicana faz como corpo. O calendário litúrgico com suas festas de santos. O Magnificat, o cântico de Maria em Lucas 1, presente como opção no Ofício da Tarde do Livro de Oração Comum — e o que está no Livro de Oração Comum está na doutrina. Lex orandi, lex credendi — a lei da oração é a lei da crença. As coletas que mencionam os santos em dia de festa. O Sanctus que une a congregação ao coro celestial na Eucaristia. Imagens como auxílio devocional.
Tudo isso é prática anglicana estabelecida, a maioria presente desde Cranmer.
Nem comprecação nem invocação aparecem como ato litúrgico formal no culto público anglicano. O culto público dirige suas orações a Deus — e reconhece os santos sem endereçar orações a eles diretamente.
Doutrina pública é o que o anglicanismo clássico afirma como posição teológica estabelecida. A communio sanctorum como realidade presente, não apenas memorial — fundamento que torna a comprecação possível e coerente.
Quanto à invocação direta, o documento histórico que melhor expressa o consenso reformado anglicano — os Trinta e Nove Artigos do século XVI — condena “a doutrina romana sobre a invocação dos santos.” O modificador romana é decisivo: o que está condenado é o sistema romano específico, não qualquer relação com os santos na devoção pessoal. Os Trinta e Nove Artigos não são norma canônica na IEAB, mas funcionam como referência histórica iluminadora do que o anglicanismo clássico entendia sobre o tema.
Devoção pessoal é onde a distinção entre comprecação e invocação se torna prática real — e onde o anglicanismo abre espaço para diversidade legítima.
A comprecação é a posição mais bem recebida dentro do anglicanismo clássico. Pede-se a Deus que chame os santos a orarem por nossas causas — o gesto é dirigido a Deus, os santos respondem ao chamado divino.
A invocação direta tem genealogia no alto anglicanismo britânico — mas mesmo dentro dessa tradição havia cautela. E.B. Pusey, o principal teólogo do Movimento de Oxford — o movimento de renovação do século XIX que recuperou as raízes patrísticas e litúrgicas do anglicanismo em resposta ao racionalismo e ao liberalismo teológico da época — advertia que o endereçamento habitual e repetido aos santos tende a deslizar imperceptivelmente. O que começa como pedido de oração vai assumindo a forma de uma relação devocional autônoma com o santo, como se ele fosse um intercessor independente de Deus.
O risco não é teológico apenas — é pastoral.
Esse deslize não é hipotético. É tão documentado que até Roma — a tradição que afirma a invocação dos santos como prática legítima — teve que se pronunciar contra fiéis que passaram a chamar Maria de medianeira e corredentora, títulos que a própria Igreja Romana não reconhece oficialmente. O que Pusey temia como risco pastoral, a história registrou como realidade recorrente.
Por isso a comprecação é a posição mais bem recebida no anglicanismo clássico. Não porque a invocação seja proibida — mas porque a comprecação preserva estruturalmente o que a invocação precisa preservar intencionalmente.
Clérigos da própria IEAB, incluindo bispos, utilizam publicamente fórmulas como “rogai por nós” em dias comemorativos, seguindo a tradição da invocação. E o próprio Santuário Anglicano de Walsingham, restaurado em 1931 e até hoje o principal centro de peregrinação mariana da Comunhão Anglicana, inclui linguagem de invocação e práticas devocionais que vão além do que o anglicanismo clássico descreve como norma.
Este artigo toma uma posição mais cautelosa do que essa prática, não porque creia ser essa a decisão mais correta(há posições legítimas diversas), mas porque se propõe a estabelecer um lugar comum de onde o diálogo e a compreensão de todo o assunto podem surgir.
Há espaço. Mas saber onde se está é condição para saber onde se pode ir.
VII. O que é, afinal, devoção aos santos
Depois de tudo isso, a pergunta prática: o que significa ter devoção aos santos no anglicanismo?
É contemplar nos santos o que Deus fez neles e através deles. É reconhecer que a oração cristã é sempre corporativa — inclui os que ainda caminham e os que já chegaram. É celebrar as festas do calendário como atos litúrgicos que dizem: aqui Deus agiu, aqui a graça tomou forma humana reconhecível, olhemos. É usar imagens como janelas, não como destinos. É, na devoção pessoal, pedir a Deus que chame os santos a orarem por nossas causas — sabendo que essa oração já acontece, e que o que pedimos é participar dela.
Em uma frase: devoção aos santos é honrar neles o que Deus fez através deles, e reconhecer que o corpo de Cristo é maior do que a morte, já vencida.
Há espaço dentro do anglicanismo para quem vai além disso — e esse espaço tem fundamento legítimo. Há espaço também para quem fica aquém. As posições são diversas, as genealogias são reais, e os limites existem. Conhecer onde a discussão corre, quais são os termos, quais são as fronteiras e onde há liberdade genuína é o que permite a cada anglicano ocupar seu lugar com integridade — e respeitar quem ocupa um lugar diferente, dentro da mesma tradição, com o mesmo fundamento.
Naquele dia na missa de trigésimo dia, eu estava honrando um professor. Não sabia que estava, involuntariamente, praticando algo que a Igreja sempre soube fazer — estar presente na memória dos que partiram, reconhecer que eles ainda pertencem ao mesmo corpo. O desconforto era real. Mas o gesto era certo.
Havia um nome específico, porém, que eu ainda fugia. E esse nome vamos tratar no próximo artigo. Há uma dica na foto de capa do artigo.

