{"id":528,"date":"2026-05-17T03:24:00","date_gmt":"2026-05-17T03:24:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lexorandi.com.br\/blog\/?p=528"},"modified":"2026-05-17T03:24:00","modified_gmt":"2026-05-17T03:24:00","slug":"a-oracao-dos-santos-uma-explicacaoentre-muitas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lexorandi.com.br\/blog\/a-oracao-dos-santos-uma-explicacaoentre-muitas\/","title":{"rendered":"A Ora\u00e7\u00e3o dos Santos: Uma Explica\u00e7\u00e3o(entre muitas)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Uma nota antes de come\u00e7ar: este artigo apresenta uma posi\u00e7\u00e3o de alto anglicanismo cl\u00e1ssico \u2014 fundamentado em Hooker e no Livro de Ora\u00e7\u00e3o Comum. N\u00e3o \u00e9 a \u00fanica posi\u00e7\u00e3o anglicana poss\u00edvel, nem a mais avan\u00e7ada. Parte do clero da IEAB, seguindo a tradi\u00e7\u00e3o anglo-cat\u00f3lica, vai consideravelmente al\u00e9m do que este artigo prop\u00f5e \u2014 e tem raz\u00e3o leg\u00edtima para faz\u00ea-lo. Por outro lado, o anglicanismo de tradi\u00e7\u00e3o mais evang\u00e9lica pode ter reservas at\u00e9 com o que est\u00e1 escrito aqui. O alto anglicanismo cl\u00e1ssico vive nessa tens\u00e3o \u2014 n\u00e3o como compromisso entre dois extremos, mas como posi\u00e7\u00e3o com fundamento pr\u00f3prio. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentar um ch\u00e3o teol\u00f3gico que a grande maioria dos anglicanos pode habitar com clareza. Devo dizer com honestidade que minha pr\u00f3pria pr\u00e1tica devocional n\u00e3o se limita ao que est\u00e1 descrito aqui \u2014 mas esse \u00e9 assunto para outra conversa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">I. O desconforto que n\u00e3o tinha nome<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lembro da primeira vez que entrei numa igreja cat\u00f3lica romana na minha vida. N\u00e3o para me converter, n\u00e3o por curiosidade tur\u00edstica \u2014 para a missa de trig\u00e9simo dia de um professor universit\u00e1rio que eu respeitava muito. J\u00e1 havia deixado o evangelicalismo havia anos. Achei que estava mudado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o estava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As imagens me perturbaram de duas formas distintas. A primeira era teol\u00f3gica \u2014 o treinamento evangelical ainda funcionava em mim como reflexo, identificando perigo a todo momento. A segunda era mais estranha: o realismo das esculturas, os olhos de vidro, a carne pintada. H\u00e1 um fen\u00f4meno que estudiosos de rob\u00f3tica chamam de <em>vale da estranheza<\/em> \u2014 o ponto onde algo quase humano se torna perturbador exatamente por ser quase humano, n\u00e3o por ser diferente. As imagens sacras cat\u00f3licas me colocavam ali com precis\u00e3o cir\u00fargica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira perturba\u00e7\u00e3o eu venci com o tempo e com estudo. A segunda, quase.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas naquele dia, de p\u00e9 numa nave que n\u00e3o era minha, numa cerim\u00f4nia por um homem que eu queria honrar, percebi que carregava perguntas que nunca havia formulado direito. O desconforto n\u00e3o era sinal de que eu estava certo. Era sinal de que eu n\u00e3o havia pensado o suficiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este artigo \u00e9 resultado de mais de uma d\u00e9cada de pensamento.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">II. Uma frase que voc\u00ea j\u00e1 disse sem perceber<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe uma declara\u00e7\u00e3o que todo crist\u00e3o que frequenta uma liturgia tradicional repete toda semana, quase sempre sem parar para pensar no que est\u00e1 dizendo. Ela aparece no Credo Apost\u00f3lico, discreta entre a ressurrei\u00e7\u00e3o do corpo e a vida eterna: <em>creio na comunh\u00e3o dos santos<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em latim(amo latim), <em>communio sanctorum<\/em> \u2014 a comunh\u00e3o de todos os que pertencem a Cristo, vivos e mortos. Dois substantivos. Uma doutrina grande e quase sempre pol\u00eamica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O anglicanismo afirma essa frase pelo Credo \u2014 e o Credo n\u00e3o \u00e9 uma decora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. \u00c9 doutrina. O que ela diz \u00e9 que o corpo de Cristo n\u00e3o \u00e9 dissolvido pela morte. Os que morreram em Cristo n\u00e3o sa\u00edram do corpo \u2014 est\u00e3o na parte mais pr\u00f3xima de Cristo, \u00e0 espera da ressurrei\u00e7\u00e3o final, conscientes, presentes na mesma comunh\u00e3o em que estamos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso tem consequ\u00eancias pr\u00e1ticas. Se os santos glorificados ainda fazem parte do mesmo corpo, a ora\u00e7\u00e3o desse corpo os inclui. A liturgia anglicana j\u00e1 sabia disso. Os santos t\u00eam festas no calend\u00e1rio desde Cranmer \u2014 dias em que a Igreja para, recorda e diz: aqui Deus agiu numa vida humana, e essa vida ainda pertence ao nosso corpo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o os esqueceu. N\u00f3s \u00e9 que paramos de pensar neles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas antes de ir mais longe, uma obje\u00e7\u00e3o que vai aparecer cedo precisa ser respondida.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">III. Os mortos escutam?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Certos c\u00edrculos religiosos levantam uma obje\u00e7\u00e3o direta: os mortos dormem. N\u00e3o h\u00e1 consci\u00eancia entre a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o. Logo, n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m ouvindo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obje\u00e7\u00e3o tem genealogia dentro de certas tradi\u00e7\u00f5es reformadas. Mas n\u00e3o \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o lit\u00fargica anglicana desde Cranmer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3prio Livro de Ora\u00e7\u00e3o Comum \u00e9 testemunha direta. No servi\u00e7o f\u00fanebre do LOC de 1549, o cl\u00e9rigo diz ao lan\u00e7ar terra sobre o caix\u00e3o: <em>&#8220;Encomendo tua alma a Deus Pai Todo-Poderoso, e teu corpo \u00e0 terra&#8230; na esperan\u00e7a certa e segura da ressurrei\u00e7\u00e3o para a vida eterna.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma alma que dorme n\u00e3o precisa ser encomendada. Uma alma que parte para a presen\u00e7a de Deus, sim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale notar que encomenda\u00e7\u00e3o da alma n\u00e3o \u00e9 o mesmo que ora\u00e7\u00e3o pelos mortos \u2014 s\u00e3o pr\u00e1ticas teol\u00f3gicas distintas que merecem tratamento pr\u00f3prio e que abordaremos em artigo futuro. O que importa aqui \u00e9 o que a encomenda\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e: que a alma tem destino consciente imediato ap\u00f3s a morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N.T. Wright, bispo anglicano e o te\u00f3logo anglicano contempor\u00e2neo mais lido no mundo, confirma: Paulo usa &#8220;sono&#8221; como met\u00e1fora da ressurrei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o como descri\u00e7\u00e3o do estado presente. Seria estranho, diz Wright, que Paulo considerasse esse estado &#8220;muito melhor&#8221; do que a vida presente se fosse inconsciente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E h\u00e1 Apocalipse 6.9-11 \u2014 os santos debaixo do altar divino, conscientes, clamando a Deus por justi\u00e7a, aguardando a consuma\u00e7\u00e3o de todas as coisas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rowan Williams, Arcebispo de Cantu\u00e1ria de 2002 a 2012, expressou essa convic\u00e7\u00e3o com precis\u00e3o em seu serm\u00e3o no centen\u00e1rio de Oscar Romero em Westminster Abbey: Romero est\u00e1 &#8220;na eterna comunh\u00e3o dos santos, na mesa eucar\u00edstica de Jesus Cristo.&#8221; N\u00e3o como lembran\u00e7a \u2014 como presen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os santos est\u00e3o acordados. Est\u00e3o na presen\u00e7a de Cristo. Numa condi\u00e7\u00e3o ainda incompleta \u2014 aguardando a ressurrei\u00e7\u00e3o final com o resto do corpo. N\u00e3o s\u00e3o mediadores em perfei\u00e7\u00e3o plena. S\u00e3o membros do mesmo corpo que n\u00f3s, apenas do outro lado da morte que Cristo j\u00e1 derrotou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se os santos est\u00e3o vivos, conscientes e unidos a Cristo \u2014 o que isso significa para a nossa ora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">IV. A ora\u00e7\u00e3o nunca \u00e9 individual<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por que pedimos uns pelos outros na ora\u00e7\u00e3o do povo? Por que Paulo pede ora\u00e7\u00f5es \u00e0s igrejas em Romanos 15.30? Por que Tiago 5.16 diz que &#8220;a ora\u00e7\u00e3o do justo \u00e9 muito poderosa em seus efeitos&#8221;?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o porque a ora\u00e7\u00e3o individual seja insuficiente. N\u00e3o porque Deus seja mais convencido por volume. Mas porque a ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 uma transa\u00e7\u00e3o entre um indiv\u00edduo e um juiz distante. \u00c9 participa\u00e7\u00e3o no corpo de Cristo inteiro orando ao Pai pelo Esp\u00edrito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 ato corporativo, n\u00e3o apenas individual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se voc\u00ea j\u00e1 pensou &#8220;para que pedir a algu\u00e9m que ore por mim, se Deus j\u00e1 sabe o que preciso?&#8221; \u2014 a obje\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, mas ela se aplica a toda intercess\u00e3o, n\u00e3o apenas \u00e0 dos santos. Se ela derrubasse a ora\u00e7\u00e3o dos santos, derrubaria tamb\u00e9m a ora\u00e7\u00e3o do povo no domingo, derrubaria a sua pr\u00f3pria ora\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema est\u00e1 na premissa: a ideia de que ora\u00e7\u00e3o funciona como peti\u00e7\u00e3o individual cujo sucesso depende de Deus aceitar ou rejeitar o pedido. A ora\u00e7\u00e3o que o anglicanismo pratica \u2014 fundamentada em Hooker, que inscreveu a raz\u00e3o e a gra\u00e7a na pr\u00f3pria estrutura da cria\u00e7\u00e3o \u2014 n\u00e3o \u00e9 transa\u00e7\u00e3o. \u00c9 comunh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E comunh\u00e3o inclui o corpo inteiro, os que ainda caminham e os que j\u00e1 chegaram ao destino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Toda vez que cantamos o Sanctus na Eucaristia \u2014 <em>&#8220;Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, o c\u00e9u e a terra proclamam a tua gl\u00f3ria&#8221;<\/em> \u2014 estamos fazendo precisamente isso: unindo nossa voz \u00e0 multid\u00e3o celestial num louvor que j\u00e1 acontece. O coro n\u00e3o termina na nave. Ele inclui os que j\u00e1 est\u00e3o l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A morte n\u00e3o dissolve o corpo. E o corpo ora junto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <em>communio sanctorum<\/em> \u00e9 real e presente. Os santos glorificados n\u00e3o sa\u00edram do corpo. Est\u00e3o na parte mais pr\u00f3xima de Cristo, orando. A pergunta n\u00e3o \u00e9 &#8220;eles podem orar por n\u00f3s?&#8221; \u2014 a pergunta \u00e9 &#8220;como nos relacionamos com essa ora\u00e7\u00e3o que j\u00e1 acontece?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas antes disso, \u00e9 preciso entender quem s\u00e3o os santos e o que significa honr\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">V. Santos, imagens e o que significa honrar<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de falar em devo\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso falar em hagiografia \u2014 palavra grega que significa, literalmente, &#8220;escrita sobre os santos.&#8221; <em>Hagios<\/em>, santo. <em>Graphia<\/em>, escrita. \u00c9 o conjunto de textos, imagens e pr\u00e1ticas atrav\u00e9s dos quais a Igreja recorda e honra aqueles em quem Deus agiu de forma especialmente vis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pense assim: assim como Deus \u00e9 o autor da Escritura, Deus \u00e9 o autor do santo. A vida de um m\u00e1rtir, de uma confessora, de um pastor fiel n\u00e3o \u00e9 biografia de her\u00f3i. \u00c9 texto que Deus escreve numa vida humana concreta para mostrar como a gra\u00e7a opera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o se l\u00ea a vida de um santo para admirar a capacidade humana. L\u00ea-se para ver o que Deus faz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O calend\u00e1rio lit\u00fargico anglicano celebra os santos por essa raz\u00e3o \u2014 n\u00e3o como objetos de culto, mas como espelhos onde se reconhecem os atos de Deus atrav\u00e9s dos s\u00e9culos. A Reforma anglicana podou a hagiografia medieval exatamente porque ela havia derivado desse princ\u00edpio original. Os santos haviam se tornado her\u00f3is autossuficientes, m\u00e1quinas de milagres, patronos negoci\u00e1veis. Cranmer n\u00e3o extinguiu os santos \u2014 reduziu o calend\u00e1rio a propor\u00e7\u00f5es manej\u00e1veis. Preservou o princ\u00edpio. Removeu o excesso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E as imagens?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Volto \u00e0quela nave, \u00e0quelas esculturas. A obje\u00e7\u00e3o que senti naquele dia vem de um lugar real. \u00caxodo 20.4 \u2014 n\u00e3o far\u00e1s imagem de escultura. Mas vale perguntar o que a proibi\u00e7\u00e3o pro\u00edbe exatamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00cddolo, em seu sentido t\u00e9cnico religioso, \u00e9 um objeto que recebe culto em si mesmo \u2014 n\u00e3o um objeto que auxilia a contempla\u00e7\u00e3o de outra realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voc\u00ea tem foto dos seus pais na carteira? Do seu namorado? Do seu filho? Essas fotos n\u00e3o s\u00e3o \u00eddolos \u2014 n\u00e3o porque sejam pequenas demais para isso, mas porque sua fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 receber culto. Sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 auxiliar a mem\u00f3ria, evocar a presen\u00e7a, sustentar o afeto por pessoas que est\u00e3o ausentes. O objeto aponta para al\u00e9m de si mesmo. \u00c9 um apontador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00edcone \u2014 imagem sagrada usada na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 oriental e no alto anglicanismo como aux\u00edlio para a ora\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o \u2014 funciona assim. Rowan Williams escreveu um livro inteiro sobre \u00edcones marianos precisamente para explicar isso. Em <em>Ponder These Things<\/em> ele descreve o que o \u00edcone faz: trazer o completamente estranho junto com o familiar e o cotidiano, de modo que o mundo pare\u00e7a estar sempre \u00e0 beira de uma revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00edcone n\u00e3o \u00e9 o destino. \u00c9 uma janela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de avan\u00e7ar, \u00e9 preciso parar numa palavra que sempre aparece bastante nessa discuss\u00e3o: <em>venera\u00e7\u00e3o<\/em>. O problema \u00e9 que ela \u00e9 amb\u00edgua. Em alguns dicion\u00e1rios \u2014 inclusive o Houaiss \u2014 venerar pode ser sin\u00f4nimo de culto, de adora\u00e7\u00e3o. Em outros contextos, significa simplesmente honra e respeito elevados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No imagin\u00e1rio popular brasileiro, ela quase sempre \u00e9 lida no sentido mais forte \u2014 e mais suspeito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso a teologia cl\u00e1ssica desenvolveu um vocabul\u00e1rio mais preciso. Dois termos latinos fazem esse trabalho: <em>latria<\/em> e <em>dulia<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Latria<\/em> \u00e9 adora\u00e7\u00e3o \u2014 o ato de culto absoluto, devido unicamente a Deus. <em>Dulia<\/em> \u00e9 honra \u2014 o respeito profundo devido \u00e0queles que Deus santificou, sem qualquer atribui\u00e7\u00e3o de divindade. S\u00e3o atos categoricamente diferentes, com objetos categoricamente diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Honrar um santo n\u00e3o \u00e9 ador\u00e1-lo de forma atenuada. \u00c9 uma categoria distinta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E essa distin\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica \u2014 a vida humana j\u00e1 a pratica em outras esferas sem nenhum estranhamento. Ju\u00edzes s\u00e3o honrados com t\u00edtulos e ritos espec\u00edficos. Professores recebem uma defer\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 devida a qualquer pessoa na rua. Dignit\u00e1rios, oficiais, mestres \u2014 em praticamente todas as culturas humanas, h\u00e1 formas de honra que n\u00e3o s\u00e3o adora\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o confundem o honrado com Deus, e que ningu\u00e9m chama de idolatria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A honra reconhece excel\u00eancia, servi\u00e7o, posi\u00e7\u00e3o \u2014 sem atribuir ao honrado aquilo que s\u00f3 pertence a uma inst\u00e2ncia superior. O que a teologia faz \u00e9 precisar o objeto e guardar os limites \u2014 n\u00e3o inventar o conceito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E o \u00edcone mais revelador dessa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 a Hodegetria \u2014 do grego <em>hodos<\/em>, caminho, e <em>hegeomai<\/em>, guiar: &#8220;a que aponta o caminho.&#8221; \u00c9 a imagem mariana mais antiga da tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3. No \u00edcone, Maria aponta para Cristo. Sempre. Sua m\u00e3o se estende em dire\u00e7\u00e3o ao Filho. Seus olhos apontam para Ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela que aponta para Cristo \u00e9 a primeira a apontar para Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Reforma anglicana removeu imagens das igrejas n\u00e3o por teologia iconoclasta \u2014 os reformadores radicais do continente \u00e9 que destru\u00edam imagens como ato teol\u00f3gico \u2014 mas por prud\u00eancia pastoral diante de abusos reais. O alto anglicanismo as restaurou dentro de uma teologia clara. Ambas as posi\u00e7\u00f5es t\u00eam genealogia anglicana leg\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Celebrar festas, contemplar \u00edcones, ler hagiografias \u2014 tudo isso \u00e9 devo\u00e7\u00e3o aos santos. Mas a quest\u00e3o que muitos v\u00e3o fazer \u00e9: o anglicanismo permite ir al\u00e9m disso? Permite uma rela\u00e7\u00e3o mais ativa com os santos, incluindo a ora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">VI. As tr\u00eas zonas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de entrar nas zonas, dois termos precisam ser explicados \u2014 porque eles aparecem nas tr\u00eas e determinam o que est\u00e1 em jogo em cada uma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Compreca\u00e7\u00e3o<\/em> \u2014 do latim <em>comprecatio<\/em>, &#8220;orar junto com&#8221; \u2014 \u00e9 a pr\u00e1tica de pedir a Deus uma participa\u00e7\u00e3o nas ora\u00e7\u00f5es dos santos. O endere\u00e7o \u00e9 sempre Deus. Os santos respondem ao chamado divino, n\u00e3o ao nosso. O te\u00f3logo anglicano do s\u00e9culo XVII William Forbes chamava isso de <em>advoca\u00e7\u00e3o<\/em> dos santos \u2014 e descrevia a pr\u00e1tica como verdadeiramente primitiva e cat\u00f3lica, encontrada nas liturgias antigas e sem obje\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Invoca\u00e7\u00e3o<\/em> \u2014 do latim <em>invocare<\/em>, &#8220;chamar sobre si&#8221; \u2014 \u00e9 o endere\u00e7amento direto ao santo: &#8220;rogai por n\u00f3s.&#8221; Aqui o endere\u00e7o \u00e9 o pr\u00f3prio santo, n\u00e3o Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diferen\u00e7a fica clara em dois exemplos pr\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma ora\u00e7\u00e3o de compreca\u00e7\u00e3o soa assim: <em>&#8220;Senhor, permite e chama todos os teus santos, na tua presen\u00e7a, a oraram conosco pelas nossas causas.&#8221;<\/em> O endere\u00e7o \u00e9 Deus. Os santos s\u00e3o convocados por Ele, n\u00e3o por n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma ora\u00e7\u00e3o de invoca\u00e7\u00e3o soa assim: <em>&#8220;S\u00e3o Oscar Romero, na comunh\u00e3o dos santos de Deus, rogai por n\u00f3s.&#8221;<\/em> O endere\u00e7o \u00e9 o pr\u00f3prio santo. \u00c9 ele quem \u00e9 chamado a agir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As duas pr\u00e1ticas reconhecem que os santos oram. A diferen\u00e7a est\u00e1 em quem faz o chamado \u2014 e para quem a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 dirigida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com esses termos em m\u00e3os, as tr\u00eas zonas fazem sentido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Culto p\u00fablico<\/strong> \u00e9 o que a liturgia anglicana faz como corpo. O calend\u00e1rio lit\u00fargico com suas festas de santos. O Magnificat, o c\u00e2ntico de Maria em Lucas 1, presente como op\u00e7\u00e3o no Of\u00edcio da Tarde do Livro de Ora\u00e7\u00e3o Comum \u2014 e o que est\u00e1 no Livro de Ora\u00e7\u00e3o Comum est\u00e1 na doutrina. <em>Lex orandi, lex credendi<\/em> \u2014 a lei da ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a lei da cren\u00e7a. As coletas que mencionam os santos em dia de festa. O Sanctus que une a congrega\u00e7\u00e3o ao coro celestial na Eucaristia. Imagens como aux\u00edlio devocional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo isso \u00e9 pr\u00e1tica anglicana estabelecida, a maioria presente desde Cranmer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nem compreca\u00e7\u00e3o nem invoca\u00e7\u00e3o aparecem como ato lit\u00fargico formal no culto p\u00fablico anglicano. O culto p\u00fablico dirige suas ora\u00e7\u00f5es a Deus \u2014 e reconhece os santos sem endere\u00e7ar ora\u00e7\u00f5es a eles diretamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Doutrina p\u00fablica<\/strong> \u00e9 o que o anglicanismo cl\u00e1ssico afirma como posi\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica estabelecida. A <em>communio sanctorum<\/em> como realidade presente, n\u00e3o apenas memorial \u2014 fundamento que torna a compreca\u00e7\u00e3o poss\u00edvel e coerente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 invoca\u00e7\u00e3o direta, o documento hist\u00f3rico que melhor expressa o consenso reformado anglicano \u2014 os Trinta e Nove Artigos do s\u00e9culo XVI \u2014 condena &#8220;a doutrina romana sobre a invoca\u00e7\u00e3o dos santos.&#8221; O modificador <em>romana<\/em> \u00e9 decisivo: o que est\u00e1 condenado \u00e9 o sistema romano espec\u00edfico, n\u00e3o qualquer rela\u00e7\u00e3o com os santos na devo\u00e7\u00e3o pessoal. Os Trinta e Nove Artigos n\u00e3o s\u00e3o norma can\u00f4nica na IEAB, mas funcionam como refer\u00eancia hist\u00f3rica iluminadora do que o anglicanismo cl\u00e1ssico entendia sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Devo\u00e7\u00e3o pessoal<\/strong> \u00e9 onde a distin\u00e7\u00e3o entre compreca\u00e7\u00e3o e invoca\u00e7\u00e3o se torna pr\u00e1tica real \u2014 e onde o anglicanismo abre espa\u00e7o para diversidade leg\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A compreca\u00e7\u00e3o \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o mais bem recebida dentro do anglicanismo cl\u00e1ssico. Pede-se a Deus que chame os santos a orarem por nossas causas \u2014 o gesto \u00e9 dirigido a Deus, os santos respondem ao chamado divino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A invoca\u00e7\u00e3o direta tem genealogia no alto anglicanismo brit\u00e2nico \u2014 mas mesmo dentro dessa tradi\u00e7\u00e3o havia cautela. E.B. Pusey, o principal te\u00f3logo do Movimento de Oxford \u2014 o movimento de renova\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XIX que recuperou as ra\u00edzes patr\u00edsticas e lit\u00fargicas do anglicanismo em resposta ao racionalismo e ao liberalismo teol\u00f3gico da \u00e9poca \u2014 advertia que o endere\u00e7amento habitual e repetido aos santos tende a deslizar imperceptivelmente. O que come\u00e7a como pedido de ora\u00e7\u00e3o vai assumindo a forma de uma rela\u00e7\u00e3o devocional aut\u00f4noma com o santo, como se ele fosse um intercessor independente de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O risco n\u00e3o \u00e9 teol\u00f3gico apenas \u2014 \u00e9 pastoral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse deslize n\u00e3o \u00e9 hipot\u00e9tico. \u00c9 t\u00e3o documentado que at\u00e9 Roma \u2014 a tradi\u00e7\u00e3o que afirma a invoca\u00e7\u00e3o dos santos como pr\u00e1tica leg\u00edtima \u2014 teve que se pronunciar contra fi\u00e9is que passaram a chamar Maria de <em>medianeira<\/em> e <em>corredentora<\/em>, t\u00edtulos que a pr\u00f3pria Igreja Romana n\u00e3o reconhece oficialmente. O que Pusey temia como risco pastoral, a hist\u00f3ria registrou como realidade recorrente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso a compreca\u00e7\u00e3o \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o mais bem recebida no anglicanismo cl\u00e1ssico. N\u00e3o porque a invoca\u00e7\u00e3o seja proibida \u2014 mas porque a compreca\u00e7\u00e3o preserva estruturalmente o que a invoca\u00e7\u00e3o precisa preservar intencionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cl\u00e9rigos da pr\u00f3pria IEAB, incluindo bispos, utilizam publicamente f\u00f3rmulas como &#8220;rogai por n\u00f3s&#8221; em dias comemorativos, seguindo a tradi\u00e7\u00e3o da invoca\u00e7\u00e3o. E o pr\u00f3prio Santu\u00e1rio Anglicano de Walsingham, restaurado em 1931 e at\u00e9 hoje o principal centro de peregrina\u00e7\u00e3o mariana da Comunh\u00e3o Anglicana, inclui linguagem de invoca\u00e7\u00e3o e pr\u00e1ticas devocionais que v\u00e3o al\u00e9m do que o anglicanismo cl\u00e1ssico descreve como norma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este artigo toma uma posi\u00e7\u00e3o mais cautelosa do que essa pr\u00e1tica, n\u00e3o porque creia ser essa a decis\u00e3o mais correta(h\u00e1 posi\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas diversas), mas porque se prop\u00f5e a estabelecer um lugar comum de onde o di\u00e1logo e a compreens\u00e3o de todo o assunto podem surgir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 espa\u00e7o. Mas saber onde se est\u00e1 \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para saber onde se pode ir.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">VII. O que \u00e9, afinal, devo\u00e7\u00e3o aos santos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de tudo isso, a pergunta pr\u00e1tica: o que significa ter devo\u00e7\u00e3o aos santos no anglicanismo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 contemplar nos santos o que Deus fez neles e atrav\u00e9s deles. \u00c9 reconhecer que a ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 sempre corporativa \u2014 inclui os que ainda caminham e os que j\u00e1 chegaram. \u00c9 celebrar as festas do calend\u00e1rio como atos lit\u00fargicos que dizem: aqui Deus agiu, aqui a gra\u00e7a tomou forma humana reconhec\u00edvel, olhemos. \u00c9 usar imagens como janelas, n\u00e3o como destinos. \u00c9, na devo\u00e7\u00e3o pessoal, pedir a Deus que chame os santos a orarem por nossas causas \u2014 sabendo que essa ora\u00e7\u00e3o j\u00e1 acontece, e que o que pedimos \u00e9 participar dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma frase: devo\u00e7\u00e3o aos santos \u00e9 honrar neles o que Deus fez atrav\u00e9s deles, e reconhecer que o corpo de Cristo \u00e9 maior do que a morte, j\u00e1 vencida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 espa\u00e7o dentro do anglicanismo para quem vai al\u00e9m disso \u2014 e esse espa\u00e7o tem fundamento leg\u00edtimo. H\u00e1 espa\u00e7o tamb\u00e9m para quem fica aqu\u00e9m. As posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o diversas, as genealogias s\u00e3o reais, e os limites existem. Conhecer onde a discuss\u00e3o corre, quais s\u00e3o os termos, quais s\u00e3o as fronteiras e onde h\u00e1 liberdade genu\u00edna \u00e9 o que permite a cada anglicano ocupar seu lugar com integridade \u2014 e respeitar quem ocupa um lugar diferente, dentro da mesma tradi\u00e7\u00e3o, com o mesmo fundamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Naquele dia na missa de trig\u00e9simo dia, eu estava honrando um professor. N\u00e3o sabia que estava, involuntariamente, praticando algo que a Igreja sempre soube fazer \u2014 estar presente na mem\u00f3ria dos que partiram, reconhecer que eles ainda pertencem ao mesmo corpo. O desconforto era real. Mas o gesto era certo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Havia um nome espec\u00edfico, por\u00e9m, que eu ainda fugia. E esse nome vamos tratar no pr\u00f3ximo artigo. H\u00e1 uma dica na foto de capa do artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma nota antes de come\u00e7ar: este artigo apresenta uma posi\u00e7\u00e3o de alto anglicanismo cl\u00e1ssico \u2014 fundamentado em Hooker e no Livro de Ora\u00e7\u00e3o Comum. 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